Toda democracia opera com um certo grau de apatia, como nos apontou o economista estadunidense Anthony Downs – que possui especialização em políticas públicas e administração pública – na sua renomada obra Uma Teoria Econômica da Democracia. No livro, o autor aponta a falta de vontade em se envolver com a política como uma forma de se posicionar sobre o assunto. Nesse sentido, Downs realizou uma valorização positiva da apatia política baseado na teoria da escolha racional (racional choice).

A apatia política do brasileiro tem algumas causas, como os escândalos de corrupção, a influência negativa da mídia na formação de opinião sobre política e o pensamento de que “eu não posso ou não sou capaz de resolver nada!”… Dessas, a mais relevante, segundo o sociólogo Sérgio Abranches, seria a indignação da população brasileira com os sucessivos escândalos de corrupção e a crise política que atingiu o país desde 2013. Recentemente, episódios atingiram o presidente e essa indignação, em vez de se canalizar em um “grito de basta” suficientemente forte para promover mudanças, vem se traduzindo em “desolação, apatia, conformismo”.

É importante pontuar que, existe uma diferença entre não participar da política por opção e não participar por não saber como. Segundo o sociólogo Ricardo de Oliveira (professor da Universidade Federal do Paraná – UFPR), essa falta de preparo do cidadão é grande no Brasil e dificulta a participação fora do período eleitoral. Mas estamos falando de outra questão: a política enquanto ciência que permeia todas as áreas de nossa vida desde o café da manhã na padaria até o programa de televisão que assistimos deitados nos sofá da nossa casa! Como nos educar e, eventualmente, passar a gostar de política?

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